Bom Dia Depressão, olá solidão!
Essa semana meu medicou trocou meus medicamentos, não tomo mais meu veneno do
coração, Rivotrill. Meu veneno que me embalava em seus braços e me levava para
um sono sem sonhos, um confortável estupor ao despertar como entre róseas
nuvens flutuar; reconheço que precisava me livrar dele ou, melhor, que
desejava. Meu antidepressivo eu já tinha substituído do citalopram para o
prystic há quatorze dias e com esse novo ansiolítico tenho enfrentado uma
pequena guerra.
No primeiro dia eu me
transformei em um zumbi e me desesperei. Nunca antes em minha vida meu cérebro
tinha estado completamente vazio, não conseguia pensar, manter uma linha de
raciocínio ou fazer uma simples operação matemática (7 x 8 = 48). Só quando foi
completando vinte e quatro horas que eu o tinha tomado é que o efeito foi
passando e voltei a tomar conhecimento de mim e dos meus movimentos, por ordens
médicas então fiquei mais 24h sem tomá-lo e usando o meu rivotrill velho de
guerra.
A dose devia estar muito alta
então (palavras do médico), mesmo sendo 2,5mg. Toma-se meia dose, e não faz
efeito... Choro por duas horas no sábado, eu estou cansada. Estou muito cansada
de chorar, de me sentir um lixo, de minha vida não ter sentido, de ter de
contá-la para psiquiatras e psicólogos, de me analisar e de procurar resolver
todos os problemas da minha vida para achar a solução da minha depressão. Resultado?
Volta a dose completa para não mais pensar em me matar... Apesar de duvidar da
capacidade que tenho de tirar minha própria vida.
Dose Inteira de Novo. Toma-se
nove e meia de sábado. Acorda-se quinze para as nove no domingo. Entorpecida.
Não penso, é só ligeiramente assustador hoje e consigo estudar, estou com medo
de não ter gravado a matéria para a prova... Não quero perder o semestre nem a
minha própria mente. Começo a falar tudo o que sei sobre direito comercial em
voz alta, minha mente ainda está lá por debaixo do carpete e do vidro embaçado.
As horas do dia vão passando e não posso tomar o rivotrill, pelo meio do dia me
sinto mal e tomo uma xícara de café muito doce e forte, melhoro. E, em um dado
momento... Estou bem.
Estou assustada, aterrorizada.
Em quase um mês essa é a primeira vez que me sinto bem, eu estou bem! Ao mesmo
tempo temo perder essa sensação de novo, não estou feliz, mas estou bem. Estou
feliz por um pequeno facho de luz ter atravessado as nuvens e mesmo que nublem
sei que ele clareará de novo o meu dia. Por isso, bom dia tristeza! Eu vou indo
bem, mesmo que vá mal.
Nenhum comentário:
Postar um comentário