Olá Depressão! E aí Solidão? Estou
com medo de ambas hoje você, querida Deprê, me fez novamente chorar por nada,
mas devo admitir que não me bateu como uma machadada não. Por isso sou feliz,
pelo fato de só devorar minha alma pelas bordas e não por completo agora,
quanta a sua companheira... Ela tem me assustado.
Para quem não sabe moro em uma
cidade “grande” há mais ou menos umas duas horas da minha terra natal em um
apartamento alugado que divido com uma colega. Já foi “amiga”, mas a convivência
só serviu para nos separar. Hoje ela avisou que está procurando outro lugar
para morar e precisou da presença dos meus pais e da mãe dela para ter coragem
e falar, meus pensamentos a chamam de criança tendo em vista que sempre tentei
discutir os problemas nossos com ela e não com os pais dela. Irritou-me e
também me preocupa.
Preocupo-me com o dinheiro,
tendo em vista que não ganho o meu próprio ainda e a parte nas despesas que ela
arca aliviam meus pais e com a Solidão... Nunca antes morei sozinha e agora
olho para o apartamento de três quartos que dividimos e penso se agüentarei viver
aqui só com você solidão. Sei porque quer se mudar... É pelos mesmos motivos
que várias vezes eu quis sair e preferi agüentar. Ela não suporta conviver com
a minha depressão com os meus valores tão diferentes dos dela, nunca suportou o
fato de não conseguir me converter para a crença protestante. Por esse motivo
tivemos várias brigas, pessoa de mente pequena que só aceita quem tem a mesma
fé.
E agora temo, temo pelo que sou
capaz de fazer comigo mesma estando sozinha, temo o que desconheço e, mais
ainda, temo o que conheço! Temo a solidão que me acompanha desde que nasci! Eu
que sempre fui pária durante a infância, execrada durante a adolescência e
resultando numa jovem adulta que aceita todos desde que a aceitem ao menos
parcialmente, que doa a alma a quem lhe estende a mão como se fosse um cão de
rua só para não se ver no poço de vidro que a solidão lhe impõe. Socorro! Quero
ar, quero calor, quero gente perto de mim! Isso sou só eu sendo carente e
ridícula e me deixando levar pelo medo que habita os quartos vazios e salas
escuras.