Olá Depressão. Os remédios
parecem estar finalmente fazendo algum efeito e as coisas não estão mais tão
ruins, apesar de sua companheira (a dona Solidão) estar me fazendo uma visita
um tanto quanto rotineira você está mais distante, apenas ligeiramente na borda
dos meus dias. Em momentos pequenos como agora há pouco ao atravessar a rua
você me fez ter vontade de ficar ali e me deixar atropelar porque, talvez, na
morte não exista tanta solidão.
Lembro que na pesquisas que fiz
sobre você caí no blog Suicida Sobrevivente e sua autora dizia que era um E.T.
afinal aos olhos dos outros nós somos e muitas vezes aos nossos próprios olhos
também. Hoje a solidão se abateu sobre mim como um caminhão tanque e me sinto
achatar sobre o seu peso, talvez porque eu acredite que é errado entristecer
por estar/ser sozinho é que deteste tanto me sentir assim. Minha casa é tão
vazia, divido o apartamento com outra pessoa mas é o mesmo que nada... É tão
errado querer alguém comigo? Alguém que me entenda e possa ficar ao meu lado
para tentar curar esse sentimento que corrói o meu peito?
Não acredito na criação (é só uma parábola para explicar o surgimento do
universo e a grande força que o move), porém se tudo o que duvido for verdade e
quando morrer me encontrar com o criador vou ter uma boa conversa com ele sobre
o porquê de ter feito a humanidade tão sozinha.
A síntese da minha solidão é o sofá da sala. Ele está sempre vazio e com
a capa perfeitamente arrumada enquanto o da casa em que fui criada estava
sempre com alguém sentado ou com suas almofadas desarrumadas, vestígios de que
há gente com você. Eu tenho um verdadeiro pânico do meu sofá, tanto que só
sento nele quando outra pessoa já está sentada, o fato d’eu ficar ali sozinha
sentada no sofá não me permite nem ver TV. Queria companhia, por isso penso em
adotar um gato.
Na verdade não queria precisar de ninguém, sinto que sou um estorvo, e
durante muito tempo apreciei a solidão como uma amiga, uma fonte de força. Hoje
ela se vinga devorando-me por dentro, talvez pelo fato de tê-la alimentado por
tanto tempo. Isso me preocupa. Como vou viver minha vida, abandonar
definitivamente o ninho materno se a digníssima não me abandona?
Devo, porém, agradecer a medicação
por me permitir enxergar, mesmo no poço em que a solidão me coloca, a beleza do
céu azul que aparece pela janela e a borboleta amarela e preta que todos os
dias dessa semana tem me cumprimentado quando passo pela praça central da
cidade. Agradeço as lufadas de vento fresco que me fazem sentir bem. E só. Não
estou mais a fim de falar com você agora. Talvez mais tarde.
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