terça-feira, 1 de maio de 2012

Olá Solidão, vens tu me fazer companhia?




                Olá Depressão! E aí Solidão? Estou com medo de ambas hoje você, querida Deprê, me fez novamente chorar por nada, mas devo admitir que não me bateu como uma machadada não. Por isso sou feliz, pelo fato de só devorar minha alma pelas bordas e não por completo agora, quanta a sua companheira... Ela tem me assustado.
                Para quem não sabe moro em uma cidade “grande” há mais ou menos umas duas horas da minha terra natal em um apartamento alugado que divido com uma colega. Já foi “amiga”, mas a convivência só serviu para nos separar. Hoje ela avisou que está procurando outro lugar para morar e precisou da presença dos meus pais e da mãe dela para ter coragem e falar, meus pensamentos a chamam de criança tendo em vista que sempre tentei discutir os problemas nossos com ela e não com os pais dela. Irritou-me e também me preocupa.
                Preocupo-me com o dinheiro, tendo em vista que não ganho o meu próprio ainda e a parte nas despesas que ela arca aliviam meus pais e com a Solidão... Nunca antes morei sozinha e agora olho para o apartamento de três quartos que dividimos e penso se agüentarei viver aqui só com você solidão. Sei porque quer se mudar... É pelos mesmos motivos que várias vezes eu quis sair e preferi agüentar. Ela não suporta conviver com a minha depressão com os meus valores tão diferentes dos dela, nunca suportou o fato de não conseguir me converter para a crença protestante. Por esse motivo tivemos várias brigas, pessoa de mente pequena que só aceita quem tem a mesma fé.
                E agora temo, temo pelo que sou capaz de fazer comigo mesma estando sozinha, temo o que desconheço e, mais ainda, temo o que conheço! Temo a solidão que me acompanha desde que nasci! Eu que sempre fui pária durante a infância, execrada durante a adolescência e resultando numa jovem adulta que aceita todos desde que a aceitem ao menos parcialmente, que doa a alma a quem lhe estende a mão como se fosse um cão de rua só para não se ver no poço de vidro que a solidão lhe impõe. Socorro! Quero ar, quero calor, quero gente perto de mim! Isso sou só eu sendo carente e ridícula e me deixando levar pelo medo que habita os quartos vazios e salas escuras.

sábado, 28 de abril de 2012

Dia 28/04/2012 – Sobre a Vida e o Estar Vivo




                Por que vivemos? Por que acordamos a cada amanhecer e dormimos a todo anoitecer? Qual é o sentido de tudo isso? Por que vou todos os dias a faculdade e desejo me formar? Para ter uma profissão e ganhar dinheiro, isso é óbvio, porém dinheiro e sucesso não emprestam sentido nenhum em vida alguma. Vivemos então pelos outros humanos, pelas pessoas que gostamos? Apenas estar do lado delas dá algum motivo para existir? Não, não dá.
                No momento viver não faz exatamente sentido e sem sentido só sobra o tédio de existir um dia depois do outro, tentando esquecer que não se sabe as respostas só as perguntas. Muitos já me disseram e provavelmente dirão ainda para me apegar a Deus que ele me mostrará a luz, o caminho, e todos os lugares-comuns do tipo; que me perdoem os que possuem fé forte para os quais Deus, em qualquer religião, é a resposta para todas as dúvidas que povoam o cérebro. Deixe-no descansar, ele já tem problemas muito maiores para cuidar do que dar sentido a vida de um único ser humano. Se é que ele se importa com o que acontece nesta terra.
                Sinto caminhando num deserto sem fim nem começo cujo único marco é o raiar e o pôr-do-sol, mas já não me sinto tão triste e algumas mechas de felicidade brotam em mim. Se algum vento soprar talvez brote também em mim o motivo de andar sobre esta terra.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Sobre o descontentamento e a solidão.




                Olá depressão, ultimamente de quando em quando você me faz uma visita ou me acompanha até e na faculdade. Você e a Srta Solidão, você me aparta do mundo; meu mundo sempre foi tão mais profundo do que o dos outros só que agora esse buraco em que me enfio está tão fundo que só assisto a vida dos outros e dela não participo. Assisto a vida como quem vê um programa na TV e dele não participa nem pelo celular, os outros ficam felizes e eu ainda estou lá, se preocupam com assuntos normais e eu penso em você e no que faz comigo, conversam e socializam e eu estou só.
                Resta estar descontente com o ritmo que minha vida leva. Que dela faço eu? Há dias em que meu desejo é largar a faculdade de Direito e me internar em alguma clínica num fim de mundo esperando que vá embora a dor que me aperta o peito. Outros em que gostaria de fazer um curso mais tranqüilo como cinema ou artes para não ter tanto o que me preocupar. Preocupar, é tudo o que eu ultimamente faço. Todos estão casando, planejando e seguindo com a vida enquanto eu só me assusto por que vou me formar em um ano e meio e não sei direito o que fazer ou se vou dar certo no que faço. Casamento então! É um plano tão distante para quando estiver com um emprego estável e algum dinheiro no banco!
                A vida me espanta, me fascina e me surpreende a cada instante. Assombro-me com a cor das flores, o vôo dos pássaros, com o universo e com o simples fato da existência! Parece-me que ninguém pára para pensar em quão assombroso é existir e ter consciência desse fato, logo me enveredo pelos labirintos do raciocínio lógico que não consegue encontrar uma resposta e, perdida em pensamentos, caio no buraco da solidão e invejo quem tolamente encontra uma resposta certa dando-se por satisfeito e não se preocupa mais em fazer as perguntas.
                Um escritor, que agora me foge o nome, disse uma vez que os tolos são felizes por não questionarem a vida. Ele tinha razão, questionar só traz problemas, preocupações e tristeza a vida de quem não pensa é tão mais leve, mais simples é só viver. Porém, penso que viver só por viver também não deve ter lá tanta graça.
Por hoje, boa noite Depressão! Até quando resolver voltar Solidão! Estou melhorando, talvez por isso esteja tão incomodada.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Dia 19/04/2012 – Quinta-feira – Uma Análise Mais Profunda da Solidão



                Olá Depressão. Os remédios parecem estar finalmente fazendo algum efeito e as coisas não estão mais tão ruins, apesar de sua companheira (a dona Solidão) estar me fazendo uma visita um tanto quanto rotineira você está mais distante, apenas ligeiramente na borda dos meus dias. Em momentos pequenos como agora há pouco ao atravessar a rua você me fez ter vontade de ficar ali e me deixar atropelar porque, talvez, na morte não exista tanta solidão.
                Lembro que na pesquisas que fiz sobre você caí no blog Suicida Sobrevivente e sua autora dizia que era um E.T. afinal aos olhos dos outros nós somos e muitas vezes aos nossos próprios olhos também. Hoje a solidão se abateu sobre mim como um caminhão tanque e me sinto achatar sobre o seu peso, talvez porque eu acredite que é errado entristecer por estar/ser sozinho é que deteste tanto me sentir assim. Minha casa é tão vazia, divido o apartamento com outra pessoa mas é o mesmo que nada... É tão errado querer alguém comigo? Alguém que me entenda e possa ficar ao meu lado para tentar curar esse sentimento que corrói o meu peito?
Não acredito na criação (é só uma parábola para explicar o surgimento do universo e a grande força que o move), porém se tudo o que duvido for verdade e quando morrer me encontrar com o criador vou ter uma boa conversa com ele sobre o porquê de ter feito a humanidade tão sozinha.
A síntese da minha solidão é o sofá da sala. Ele está sempre vazio e com a capa perfeitamente arrumada enquanto o da casa em que fui criada estava sempre com alguém sentado ou com suas almofadas desarrumadas, vestígios de que há gente com você. Eu tenho um verdadeiro pânico do meu sofá, tanto que só sento nele quando outra pessoa já está sentada, o fato d’eu ficar ali sozinha sentada no sofá não me permite nem ver TV. Queria companhia, por isso penso em adotar um gato.
Na verdade não queria precisar de ninguém, sinto que sou um estorvo, e durante muito tempo apreciei a solidão como uma amiga, uma fonte de força. Hoje ela se vinga devorando-me por dentro, talvez pelo fato de tê-la alimentado por tanto tempo. Isso me preocupa. Como vou viver minha vida, abandonar definitivamente o ninho materno se a digníssima não me abandona?
                Devo, porém, agradecer a medicação por me permitir enxergar, mesmo no poço em que a solidão me coloca, a beleza do céu azul que aparece pela janela e a borboleta amarela e preta que todos os dias dessa semana tem me cumprimentado quando passo pela praça central da cidade. Agradeço as lufadas de vento fresco que me fazem sentir bem. E só. Não estou mais a fim de falar com você agora. Talvez mais tarde.

Olá Tristeza! Bom dia Tristeza… - Domingo 15/04/2012



                Bom Dia Depressão, olá solidão! Essa semana meu medicou trocou meus medicamentos, não tomo mais meu veneno do coração, Rivotrill. Meu veneno que me embalava em seus braços e me levava para um sono sem sonhos, um confortável estupor ao despertar como entre róseas nuvens flutuar; reconheço que precisava me livrar dele ou, melhor, que desejava. Meu antidepressivo eu já tinha substituído do citalopram para o prystic há quatorze dias e com esse novo ansiolítico tenho enfrentado uma pequena guerra.
                No primeiro dia eu me transformei em um zumbi e me desesperei. Nunca antes em minha vida meu cérebro tinha estado completamente vazio, não conseguia pensar, manter uma linha de raciocínio ou fazer uma simples operação matemática (7 x 8 = 48). Só quando foi completando vinte e quatro horas que eu o tinha tomado é que o efeito foi passando e voltei a tomar conhecimento de mim e dos meus movimentos, por ordens médicas então fiquei mais 24h sem tomá-lo e usando o meu rivotrill velho de guerra.
                A dose devia estar muito alta então (palavras do médico), mesmo sendo 2,5mg. Toma-se meia dose, e não faz efeito... Choro por duas horas no sábado, eu estou cansada. Estou muito cansada de chorar, de me sentir um lixo, de minha vida não ter sentido, de ter de contá-la para psiquiatras e psicólogos, de me analisar e de procurar resolver todos os problemas da minha vida para achar a solução da minha depressão. Resultado? Volta a dose completa para não mais pensar em me matar... Apesar de duvidar da capacidade que tenho de tirar minha própria vida.
                Dose Inteira de Novo. Toma-se nove e meia de sábado. Acorda-se quinze para as nove no domingo. Entorpecida. Não penso, é só ligeiramente assustador hoje e consigo estudar, estou com medo de não ter gravado a matéria para a prova... Não quero perder o semestre nem a minha própria mente. Começo a falar tudo o que sei sobre direito comercial em voz alta, minha mente ainda está lá por debaixo do carpete e do vidro embaçado. As horas do dia vão passando e não posso tomar o rivotrill, pelo meio do dia me sinto mal e tomo uma xícara de café muito doce e forte, melhoro. E, em um dado momento... Estou bem.
                Estou assustada, aterrorizada. Em quase um mês essa é a primeira vez que me sinto bem, eu estou bem! Ao mesmo tempo temo perder essa sensação de novo, não estou feliz, mas estou bem. Estou feliz por um pequeno facho de luz ter atravessado as nuvens e mesmo que nublem sei que ele clareará de novo o meu dia. Por isso, bom dia tristeza! Eu vou indo bem, mesmo que vá mal.

Ainda dia 27/03/2012



                Hoje está sendo um dia difícil. A abstinência é estranha, mesmo já tendo tomado o remédio eu ainda não me sinto bem. Minha colega de apartamento não percebeu que não estou bem hoje, isso me machuca em algum grau. Não suporto mais as pessoas falando para eu reagir e que eu não tenho depressão. Uma amiga que me é muito cara me falou que depressão é o caso da avó dela que passou anos na cama sem sair até morrer.
                Talvez pelo que disse hoje mais cedo as pessoas achem que sou bipolar, mas não. Depressão na minha família é genético, não escapou uma única mulher pelo lado da minha avó que não tenha tido... Algumas morreram em conseqüência disso. Se eu fosse bipolar teria momentos de euforia, não os tenho. Tenho dias normais, dias em que estou com medo de ficar mal e dias que estou mal e outros em que estou pior. Sempre fui uma pessoa controlada, esse descontrole me irrita, mas pesquisei e vi que todos os sintomas que estou tendo agora são fruto da crise de abstinência. Então depressão, não me apareça por aqui. Já me basta ela e tenho medo de você...
                Tenho medo porque hoje pensei muito em carros, facas de churrasco na última gaveta e na janela do meu quarto. Eu não sei me melhorar e não tenho vontade de conversar com ninguém sobre isso. Eles só vão me dizer para me esforçar, para ficar bem. Não enxergam que já me esforço somente para acordar a cada dia? Dizem que tenho que fazer algo para ajudar os remédios. Exercícios, estudar. Não quero, não tenho vontade. E tenho medo. Tenho medo até de me deitar no sofá e a ansiedade vir me buscar porque aí acho que não irei agüentar.
                Gostaria de pausar o mundo e que ele só voltasse a girar quando eu já estivesse boa, gostaria que houvesse um remédio mágico (estou sendo infantil) que simplesmente resolvesse o problema na hora e eu pudesse voltar a ser razoavelmente como os outros. Quero fugir dessa maldição de família que ataca também minha mãe e minha avó. Não quero ir para a casa da minha mãe, lá não é mais minha casa, mas há momentos em que o lugar onde moro também, ainda, não é o meu lar. Sinto muito a falta de um lar, uma casa, um estar em casa em algum lugar. Também acho que a presença de minha mãe aqui não iria adiantar, só iria causar problemas para ela e me fazer sentir pior por dela depender.
                Atualmente sou uma contradição, tenho medo até de deitar na minha própria cama, tenho medo da minha mente e do que os outros vão pensar de mim. Porque no fundo eles não entendem realmente.
                Amanhã o sol nascerá de novo e será um dia melhor. Se não for será pelo menos um dia a menos. Hoje não é um dia “bom”.

Crise de Abstinência – Olá Depressão! 27/03/2012



                O que diabos você fez comigo sua puta?!?! Heim?! O que eu te fiz para merecer isso?! O que eu fiz para qualquer um para merecer isso! Hoje você e a solidão estão me fazendo chorar por nada! Simplesmente chorar e me sentir uma merda por isso! Eu não quero comer, não quero fazer nada! Quero chorar no ombro de alguém ou me internar no hospital! Quero morrer! Quero qualquer coisa menos vocês na minha vida! Estão me entendendo?  Vão embora! Me deixem em paz! Vão atazanar a vida de outro, mas, por favor, vão embora... Qual é o meu problema que eu não consigo viver se não semi dopada? Porque mesmo com os remédios eu não fico feliz? Qual é o meu maldito problema?! Eu não enfrentei nenhum grande problema... Porque você tem que me deixar assim?!
                Eu não agüento mais sentir que os remédios não fazem mais efeito! Não agüento chorar nos ombros dos outros e incomodá-los! Não agüento estar bem num dia e planejar cozinhar com temperos maravilhosos e no dia seguinte ligar para minha mãe pedindo ajuda! Não sou alcoólatra ou viciada, mas gostaria de beber, fumar, me cortar e me drogar para isso passar.
                Finjam que alguns minutos se passaram e tive algumas conversas ao telefone... Estou em crise de abstinência! Domingo parei o rivotril da manhã e segunda-feira meu braço começou a tremer e a ficar dormente, hoje do nada começo a tremer, suar, ter náuseas e a chorar. Por me sentir bem e o remédio estar me dando sono parei com ele muito abruptamente e agora estou assim. Fico contente em saber que é isso e não você depressão que resolveu me visitar, fico contente porque, apesar de tudo, estou sã e por isso ser só abstinência.
                Sabe, as coisas melhoram quando lhe damos um nome e em conseqüência encontramos uma solução. Então, olá crise de abstinência! Você é mais bem-vinda do que a depressão.